domingo, 12 de março de 2017

Investigações da Policia comprovam que "Olho grande" das vitimas facilita golpes

A sabedoria popular afirma que "olho grande só vê visagem". Essa tese está comprovada nas estatísticas da Delegacia de Defraudações e Falsificações da Capital (DDF-JP). Dos 37 tipos de estelionatos que já foram investigados pela delegacia, mais da metade só aconteceram porque a vítima ficou de olho na vantagem que levaria e se tornou presa fácil para os bandidos. Os demais, são golpes em que os estelionatários se aproveitam da fragilidade dos sistemas de controle, para falsificar dados e conseguir dinheiro de forma fraudulenta.

Sempre presente nos noticiários policiais, a DDF quadruplicou o número de prisões nos meses de janeiro e fevereiro, comparando os números deste ano com o ano passado. Os crimes mais flagrados pela polícia, em 2016, até este mês, foram compra de veículos com documentos falsos e fraudes em transações bancárias. Delitos que apontam para falhas nos sistemas de controle. As estatísticas mostram que também aumentou o percentual de estelionatários que são presos pela DDF-JP e a Justiça o mantém preso, não liberando na audiência de custódia.

Comportamento arriscado

O crime de estelionato é um dos mais difíceis de ser investigado, segundo o delegado Lucas Sá, titular da Delegacia de Defraudações e Falsificações de João Pessoa (DDF-JP). No entanto, acaba sendo um dos mais fáceis de ser praticado pelos bandidos, porque a maioria das vítimas são atraídas por eventuais vantagens e acabam se entregando nas mãos dos criminosos. Foi o que acontece com um grupo de senhoras, moradoras de João Pessoa, que foram vítimas de um mesmo grupo criminoso, no “golpe do bilhete premiado”.

A funcionária pública Maria do Socorro Martins foi abordada pelos dois bandidos quando voltava de um banco, já chegando em casa.

“Um deles estava muito bem vestido e disse que era um auditor fiscal, que tinha encontrado um morador do interior do Estado, que não tinha instrução e que tinha um bilhete premiado de loteria em mãos. Ele me chamou para ir ao banco com ele, ajudar aquele homem a sacar o prêmio”, contou. No caminho, o suposto auditor convenceu Socorro a sacar R$ 10 mil, para adiantar parte do prêmio ao suposto ganhador. Ela receberia um valor maior de volta, assim que o prêmio fosse sacado. Ao final, a vítima saiu com um prejuízo de R$ 45 mil, por conta do dinheiro sacado e de um empréstimo que o bandido fez na conta corrente dela.

Maria do Socorro disse que foi envolvida pela situação e não sabe como caiu no golpe. Mas, para a polícia, essa é uma reação natural, de vergonha por ter cedido à tentação da vantagem o golpe ter se tornado público. “A única coisa que sustenta esse golpe há mais de 30 anos é a ganância das vítimas em conseguir vantagem”, disse o delegado. Segundo ele, é comum haver pessoas que se dispõem a adquirir bens por valores muito abaixo do mercado, serviços gratuitos, facilidades em transações, entre outros atrativos.

Além da atração pela vantagem, Lucas Sá identificou outras posturas das vítimas que ajudam a ação dos bandidos. “Há aqueles que não têm cuidado de checar o que exatamente estão fazendo, com quem e onde estão fazendo negócio, outros confiam em pessoas que não conhecem, facilitam o acesso a dados pessoais. Todas essas atitudes são atentamente observadas e exploradas pelos criminosos”, acrescentou.

Armadilhas em sistemas falhos de bancos

José de Anchieta tem 65 anos e está aposentado há oito. Estava vivendo com a aposentadoria de R$ 930,00, sustentando três filhos e a mulher, com as finanças equilibradas, até ser vítima de um golpe. “Em março de 2015 fui num banco desses de empréstimos. A moça disse que eu só tinha margem para pegar R$ 500. Fiz mesmo assim, para pagar uma prestação de R$ 14,00. Como não sei ler, coloquei o dedo nos papeis que ela me entregou, ainda em branco e vim embora. Um dia desses desconfiei que estava recebendo muito pouco e descobri que eu já tinha pago 20 parcelas de R$ 232,00, de um empréstimo no valor de R$ 16.770,00, feito no meu nome, no mesmo dia que eu fui lá nesse banco. Denunciei à polícia e estou esperando o resultado”, contou.

Anchieta é uma vítima dos golpes que são praticados graças à fragilidade de segurança nos sistemas de operações de bancos, lojas, instituições públicas, entre outros. É o caso dos empréstimos consignados, em nome de terceiros, compra de veículos com documentos falsos ou roubados, contratação de serviços em nome de vítimas, transações bancárias fraudulentas e alguns outros crimes já investigados pela delegacia especializada, vários deles com os bandidos presos.

“As empresas aprovam as contratações sem verificar se os documentos estão corretos ou sem verificar a procedência desses documentos. Também falta investimento nos sistemas de verificação. Além disso, as empresas precisam estreitar os contatos com as delegacias. Muitas dificultam nosso acesso às fraudes ou preferem não nos comunicar os golpes. Isso acaba prejudicando muito as investigações”, disse Sá.

No caso dos sistemas bancários, também alvo frequente dos estelionatários, o delegado aponta falhas de segurança nos softwares, além da ação de servidores.

Correio da Paraiba
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